Evidentemente todos temos caminhado, horas por mananciais refrescantes que desaguam para o desenvolvimento da real alegria, e horas pelos desertos cáusticos e solitários. Naturalmente, as duas realidades são interdependentes, e as vezes, se misturam, e deixam para nós um misto de certezas e incertezas... É fato que quando tudo vai bem, o que podemos denominar de mananciais refrescantes, não nos dedicamos à saborosa virtude da reflexão; portanto, o deserto cáustico, no qual, muitas vezes nos vemos sós, nos aponta uma caminhada reflexiva. Neste caso, a reflexão é o oásis do nosso deserto! Escolhi este título para este blog, não para tratar somente das intempéries da nossa jornada, mas, para trazer sempre a nossa memória, que em todas as situações e realidades, é momento de reflexão.
Espero que as reflexões que compartilharei aqui, possam de alguma forma gerar identificação com o seu momento.
Seja bem vindo, e reflitamos sobre a vida!

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Cristo, a nossa Páscoa!

“Mas ele foi traspassado por causa das nossas transgressões, foi esmagado por causa de nossas iniquidades; o castigo que nos trouxe a paz estava sobre ele, e por suas feridas fomos sarados”. Isaías 53. 5

“Porque procuram entre os mortos aquele que vive”. Lucas 24. 5

Se as duas citações sagradas supracitadas não trouxerem o real sentido da Páscoa aos nossos corações, nada mais poderá trazer. Sim, Páscoa deve nos trazer alegria, pois o que esteve entre os mortos, vive eternamente, e na sua morte e ressurreição, vivemos abundantemente. Sim, é tempo de alegria, de júbilo, de cânticos de vitória, pois Cristo, após o terceiro dia ressuscitou. É dia de celebração, pois o que nos separava do Pai, não nos separa mais, pois Cristo nos redimiu. Sim, nos alegremos, pois ele, Cristo, a nossa redenção é o nosso Supremo Pastor, e nos conduz de maneira segura na caminhada da fé em direção ao Reino Eterno.

Mas, o brado de Isaías deve ecoar, permanentemente nos ouvidos dos nossos corações; deve fazer arder a nossa alma, e tremer as nossas estruturas e confundir nosso intelecto, pois não o compreendemos, não o assimilamos, nós o odiamos, e “nenhuma beleza víamos nele para que o desejássemos”. Que bom que não depende de nós! Ele se humilhou por nós, por nós sofreu e por nós morreu; para que fossemos exaltados, vitoriosos e eternamente vivos.

É momento de reflexão da alma, sim, precisamos refletir no seu flagelo em nosso lugar e em nosso favor, para que, através disso valorizemos realmente seu sacrifício vicário. É importante refletirmos na solidão que antecipara a sua entrega; seu choro amargo, em que as lágrimas que lavavam seu rosto sagrado, converteram-se em sangue, gotas do puro e purificador sangue do Cordeiro; sim, reflitamos no brado irado e frustrado do seu povo, o mesmo povo que bradou alegremente festejando sua entrada em Jerusalém: “Hosana, Hosana, Hosana, bendito és, pois vens no nome do Senhor”; logo berravam pela sua morte: Crucifique-o, crucifique-o, crucifique-o. Precisaram de apenas cinco dias, apenas cinco dias para se decepcionarem com o Príncipe da Paz.

Seu castigo, suas dores e sua angústia trouxeram paz inesgotável aos nossos corações perturbados pelo distanciamento do Pai; seus ferimentos, suas mãos perfuradas, sua fronte castigada pelos espinhos pontiagudos nos trouxeram cura da alma. O pecado era nosso, mas ele resolveu levar sobre si, para que com suas costas sobrecarregadas pelas nossas transgressões, tivéssemos um fardo leve.

Auto entrega, esta foi sua nobre atitude, ninguém mais o faria, somente ele, poderia fazer.

Caminhou para o lugar da morte, a morada da caveira; exausto, surrado, zombado, caiu sobre seus joelhos, pois a cruz lhe pesava cruelmente; Jesus sentia o peso do madeiro e o flagelo de seu corpo, Cristo sentia o peso dos nossos pecados, e a solidão da sua alma. Mandaram alguém para ajuda-lo, não porque se preocupavam com ele, mas, não queriam que ele morresse ali, teria que ser crucificado. Não poderia ser outra morte, tinha que ser a morte de cruz; o Rei dos reis veio em humildade, nasceu em humildade, viveu em humildade e morreu em humilhação. Tudo isto para exclamar em voz súplice ao Pai: “Perdoa-lhes, pois não sabem o que estão fazendo”.

A cruz esta vazia, o túmulo também se esvaziou, para que a nossa alma estivesse transbordante da sua graça, do seu amor e da sua misericórdia. Isto é a nossa Páscoa. Esta é a nossa passagem, “do império das trevas para o Reino da sua maravilhosa luz”.

Nenhum comentário:

Postar um comentário