Quem é você?
“A viagem mais cumprida é aquela que se faz para dentro de si mesmo”.
Hammarskjöld
“A única verdade é que vivo. Sinceramente vivo! Quem sou eu? Bem, isso já é demais para mim...”. Clarice Lispector
Está aqui uma questão no mínimo complexa á ser respondida. O Reverendo Oadi Salum, em sua Obra; o “O Homem, a Imagem de Deus” relfete: “Indagação milenar que transcende tempo e espaço para chegar ao homem, nosso contemporâneo, impregnada de inquietação, pois reclama de cada indivíduo uma resposta, seja ela qual for. É irrecusável ao mesmo ponto que é inescapável”. É uma inquirição que nos persegue desde pequenos, como as clássicas peguntas: Como se chama? Quem é seu pai? O que será quando crescer? Mas, mesmo que esta inquirição nos persiga há tanto tempo, possivelmente, ainda não a conseguimos responder com exatidão.
Isso nos aponta para a viagem mais longínqua das nossas vidas, a viagem interior. Isso é fundamental, pois, é necessário que nos compreendamos a fim de compreendermos o que está ao nosso redor, as pessoas com quem convivemos e expectativa futura de nossa existência.
Na literatura temos uma definição muito clara de Miguel de Cervantes, em um fragmento de sua obra clássica, “Dom Quixote de La Mancha”, expressando a referência conceitual sobre o valor da vida e suas implicações. A definição inexata se dá quando Dom Quixote, após uma desventura, “debaixo daquele temporal de pancadaria, moído como bagaço”, em diálogo com seu amigo Pedro Alonso declara: “Quem eu sou, sei eu, e sei o que posso ser”.
Quando lemos o Salmo 139. 14: “... de modo assombroso e maravilhoso me formaste...”, podemos concluir que nossa existência é um grande mistério; e que esta viagem interior realmente está distante de terminar. Há muitos lugares inexplorados dentro de nós que precisamos conhecer. Mas, no mesmo Salmo lemos: “todos meus dias foram escritos e determinados, sem nenhum deles existir...”. Podemos não saber quem somos, mas alguém sabe: “Pois tu me conheces, sabe quando me assento e quando me levanto, e á distância esquadrinhas o meu viver”.
Podemos concluir algo diferente do que ouvimos constantemente; dizem que precisamos nos conhecer para que conheçamos a Deus, mas a realidade parece outra; só nos conheceremos a partir do conhecimento que temos do Eterno. Ele é a lente pela qual tudo o que vemos, passa ter sentido, inclusive nossa existência.