Evidentemente todos temos caminhado, horas por mananciais refrescantes que desaguam para o desenvolvimento da real alegria, e horas pelos desertos cáusticos e solitários. Naturalmente, as duas realidades são interdependentes, e as vezes, se misturam, e deixam para nós um misto de certezas e incertezas... É fato que quando tudo vai bem, o que podemos denominar de mananciais refrescantes, não nos dedicamos à saborosa virtude da reflexão; portanto, o deserto cáustico, no qual, muitas vezes nos vemos sós, nos aponta uma caminhada reflexiva. Neste caso, a reflexão é o oásis do nosso deserto! Escolhi este título para este blog, não para tratar somente das intempéries da nossa jornada, mas, para trazer sempre a nossa memória, que em todas as situações e realidades, é momento de reflexão.
Espero que as reflexões que compartilharei aqui, possam de alguma forma gerar identificação com o seu momento.
Seja bem vindo, e reflitamos sobre a vida!

sexta-feira, 30 de março de 2012

Quem é você?

Quem é você?

“A viagem mais cumprida é aquela que se faz para dentro de si mesmo”.

Hammarskjöld

“A única verdade é que vivo. Sinceramente vivo! Quem sou eu? Bem, isso já é demais para mim...”. Clarice Lispector

Está aqui uma questão no mínimo complexa á ser respondida. O Reverendo Oadi Salum, em sua Obra; o “O Homem, a Imagem de Deus” relfete: “Indagação milenar que transcende tempo e espaço para chegar ao homem, nosso contemporâneo, impregnada de inquietação, pois reclama de cada indivíduo uma resposta, seja ela qual for. É irrecusável ao mesmo ponto que é inescapável”. É uma inquirição que nos persegue desde pequenos, como as clássicas peguntas: Como se chama? Quem é seu pai? O que será quando crescer? Mas, mesmo que esta inquirição nos persiga há tanto tempo, possivelmente, ainda não a conseguimos responder com exatidão.

Isso nos aponta para a viagem mais longínqua das nossas vidas, a viagem interior. Isso é fundamental, pois, é necessário que nos compreendamos a fim de compreendermos o que está ao nosso redor, as pessoas com quem convivemos e expectativa futura de nossa existência.

Na literatura temos uma definição muito clara de Miguel de Cervantes, em um fragmento de sua obra clássica, “Dom Quixote de La Mancha”, expressando a referência conceitual sobre o valor da vida e suas implicações. A definição inexata se dá quando Dom Quixote, após uma desventura, “debaixo daquele temporal de pancadaria, moído como bagaço”, em diálogo com seu amigo Pedro Alonso declara: “Quem eu sou, sei eu, e sei o que posso ser”.

Quando lemos o Salmo 139. 14: “... de modo assombroso e maravilhoso me formaste...”, podemos concluir que nossa existência é um grande mistério; e que esta viagem interior realmente está distante de terminar. Há muitos lugares inexplorados dentro de nós que precisamos conhecer. Mas, no mesmo Salmo lemos: “todos meus dias foram escritos e determinados, sem nenhum deles existir...”. Podemos não saber quem somos, mas alguém sabe: “Pois tu me conheces, sabe quando me assento e quando me levanto, e á distância esquadrinhas o meu viver”.

Podemos concluir algo diferente do que ouvimos constantemente; dizem que precisamos nos conhecer para que conheçamos a Deus, mas a realidade parece outra; só nos conheceremos a partir do conhecimento que temos do Eterno. Ele é a lente pela qual tudo o que vemos, passa ter sentido, inclusive nossa existência.

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