Evidentemente todos temos caminhado, horas por mananciais refrescantes que desaguam para o desenvolvimento da real alegria, e horas pelos desertos cáusticos e solitários. Naturalmente, as duas realidades são interdependentes, e as vezes, se misturam, e deixam para nós um misto de certezas e incertezas... É fato que quando tudo vai bem, o que podemos denominar de mananciais refrescantes, não nos dedicamos à saborosa virtude da reflexão; portanto, o deserto cáustico, no qual, muitas vezes nos vemos sós, nos aponta uma caminhada reflexiva. Neste caso, a reflexão é o oásis do nosso deserto! Escolhi este título para este blog, não para tratar somente das intempéries da nossa jornada, mas, para trazer sempre a nossa memória, que em todas as situações e realidades, é momento de reflexão.
Espero que as reflexões que compartilharei aqui, possam de alguma forma gerar identificação com o seu momento.
Seja bem vindo, e reflitamos sobre a vida!

domingo, 22 de abril de 2012


 Seus bons atributos, meus grandes erros!

“Quando vires um homem bom, tenta imitá-lo; agora, quando vires um homem mal, examina-te a ti mesmo”. Confúcio, filósofo chinês.

“Sede meus imitadores...”. “...o mal habita em mim”. Apóstolo Paulo


É no mínimo intrigante o pensamento do pensador chinês, pois ele provoca a nossa natureza que às vezes faz exatamente o oposto. Ele aborda dois atributos básicos que devem estar em pleno desenvolvimento em nós: enxergar as qualidades no próximo e os defeitos em nós. Para que consigamos visualizar os bons atributos no próximo, precisamos nos equipar de algumas lentes especiais como a lente do altruísmo, da humildade e do reconhecimento, para termos em “um homem bom” um modelo de existência. Mas a realidade é um pouco mais complexa do que a evidenciada por Confúcio. Não há “homem bom” sem que nele reflita a reluzente essência redentora, as marcas inconfundíveis da presença transformadora de Cristo. Só seremos “bons homens”, ou seja, bons exemplos de vida se realmente refletirmos em nossa estrutura total, o “Modelo” maior que é Cristo, o Senhor. Isto nos traz maior compreensão da conclamação do apóstolo Paulo em I Coríntios 11.1: “Sede meus imitadores, assim com eu sou de Cristo”.
Pode parecer simples, mas não é, isto porque temos a extrema facilidade de apontar os erros do próximo, e isto sem qualquer esforço. Logo, é o segundo atributo que devemos ter; o autoexame, ou ainda, a autocrítica. Mas, não é fácil, pois os erros dos outros, por certo momento, nos faz esquecer nos nossos. E esta realidade deve produzir um questionamento para a consciência da nossa alma: Porque a crítica e o juízo ao próximo são tão fáceis de serem aplicados, enquanto a autocrítica é tão dolorida e às vezes faz sangrar o nosso “Eu”? Uma das clássicas músicas do Rock Nacional da década de 80 se intitula “Eu sei”, e um fragmento dela deve ecoar permanentemente em nossa estrutura integral: “Palavras são erros, e os erros são teus. Eu não quero lembrar que eu erro também”.
Assim, o segundo atributo apresentado por Confúcio se isenta de qualquer crítica ou colaboração; o “... examina-te a ti mesmo” está transbordante de uma realidade absoluta. Para tal, precisamos de novas lentes, que são diferentes das primeiras, mas, não as substituem. Vimos que as primeiras são para a visão externa, enquanto estas devem ser usadas para visualizarmos, minunciosamente o nosso interior. Então, precisamos das lentes da autocrítica, do autoexame e do reconhecimento que somos estruturalmente maus e necessitamos permanentemente da influência redentora e transformadora do nosso Senhor.
Que sejamos modelos de vida que reflitam o caráter de Cristo; que, quando olharem para nós vejam “a beleza de Cristo”. E que consideremos nossos erros, e assumamos que os temos em grande escala, ao ponto de não nos sobrar tempo, e nem capacidade de julgamento justo quanto aos erros dos outros.
                                                                                                         Reverendo Melquisedeque de Castro

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