Seus bons atributos, meus grandes erros!
“Quando vires um homem bom, tenta imitá-lo; agora, quando vires um homem mal, examina-te a ti mesmo”. Confúcio, filósofo chinês.
“Sede meus imitadores...”. “...o mal habita em mim”. Apóstolo Paulo
É no mínimo intrigante o pensamento do pensador chinês, pois
ele provoca a nossa natureza que às vezes faz exatamente o oposto. Ele aborda dois
atributos básicos que devem estar em pleno desenvolvimento em nós: enxergar as
qualidades no próximo e os defeitos em nós. Para que consigamos visualizar os
bons atributos no próximo, precisamos nos equipar de algumas lentes especiais
como a lente do altruísmo, da humildade e do reconhecimento, para termos em “um
homem bom” um modelo de existência. Mas a realidade é um pouco mais complexa do
que a evidenciada por Confúcio. Não há “homem bom” sem que nele reflita a
reluzente essência redentora, as marcas inconfundíveis da presença
transformadora de Cristo. Só seremos “bons homens”, ou seja, bons exemplos de
vida se realmente refletirmos em nossa estrutura total, o “Modelo” maior que é
Cristo, o Senhor. Isto nos traz maior compreensão da conclamação do apóstolo
Paulo em I Coríntios 11.1: “Sede meus imitadores, assim com eu sou de
Cristo”.
Pode parecer simples, mas não é, isto porque temos a extrema
facilidade de apontar os erros do próximo, e isto sem qualquer esforço. Logo, é
o segundo atributo que devemos ter; o autoexame, ou ainda, a autocrítica. Mas,
não é fácil, pois os erros dos outros, por certo momento, nos faz esquecer nos
nossos. E esta realidade deve produzir um questionamento para a consciência da
nossa alma: Porque a crítica e o juízo ao próximo são tão fáceis de serem
aplicados, enquanto a autocrítica é tão dolorida e às vezes faz sangrar o nosso
“Eu”? Uma das clássicas músicas do Rock Nacional da década de 80 se intitula “Eu
sei”, e um fragmento dela deve ecoar permanentemente em nossa estrutura
integral: “Palavras são erros, e os erros são teus. Eu não quero lembrar que eu
erro também”.
Assim, o segundo atributo apresentado por Confúcio se isenta
de qualquer crítica ou colaboração; o “... examina-te a ti mesmo” está
transbordante de uma realidade absoluta. Para tal, precisamos de novas lentes,
que são diferentes das primeiras, mas, não as substituem. Vimos que as primeiras
são para a visão externa, enquanto estas devem ser usadas para visualizarmos,
minunciosamente o nosso interior. Então, precisamos das lentes da autocrítica,
do autoexame e do reconhecimento que somos estruturalmente maus e necessitamos
permanentemente da influência redentora e transformadora do nosso Senhor.
Que sejamos modelos de vida que reflitam o caráter de Cristo;
que, quando olharem para nós vejam “a beleza de Cristo”. E que
consideremos nossos erros, e assumamos que os temos em grande escala, ao ponto
de não nos sobrar tempo, e nem capacidade de julgamento justo quanto aos erros
dos outros.
Reverendo Melquisedeque de Castro
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